{"id":1911,"date":"2024-02-07T11:17:55","date_gmt":"2024-02-07T14:17:55","guid":{"rendered":"https:\/\/blog.sima.ag\/?p=1911"},"modified":"2024-02-07T11:17:56","modified_gmt":"2024-02-07T14:17:56","slug":"greening-o-desafio-global-que-permeia-os-pomares-de-citros","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blog.sima.ag\/pt-br\/2024\/greening-o-desafio-global-que-permeia-os-pomares-de-citros\/","title":{"rendered":"Greening: O Desafio Global que Permeia os Pomares de Citros"},"content":{"rendered":"\n<p><strong>Um dos maiores desafios fitossanit\u00e1rios atuais da citricultura, que amea\u00e7a e dizima pomares, \u00e9 a doen\u00e7a do greening. Desde a sua descoberta na \u00c1sia h\u00e1 mais de um s\u00e9culo, esta tem percorrido fronteiras e se estabelecido como uma amea\u00e7a significativa em diversas regi\u00f5es, incluindo o Brasil. A chegada desta enfermidade aos pomares brasileiros marcou um ponto de virada, exigindo uma resposta assertiva e estrat\u00e9gias eficientes para sua conten\u00e7\u00e3o.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><strong>O Que \u00e9 o Greening?<\/strong><\/h2>\n\n\n\n<p>O greening, tamb\u00e9m conhecido como huanglongbing ou HLB, \u00e9 a <strong>principal doen\u00e7a dos citros<\/strong>, <strong>sem cura para as plantas<\/strong>. Essa enfermidade \u00e9 causada por uma bact\u00e9ria, a qual \u00e9 disseminada pelo min\u00fasculo psil\u00eddeo <em>Diaphorina citri<\/em>, e apresenta-se como um desafio complexo. Seus primeiros registros s\u00e3o datados de mais de 100 anos atr\u00e1s, na \u00c1sia, e atualmente a problem\u00e1tica <strong>ocorre a n\u00edveis globais<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p>Em 2004, a presen\u00e7a do greening foi notada no Brasil pela primeira vez, nas regi\u00f5es Centro e Leste do Estado de S\u00e3o Paulo, sinalizando a entrada dessa amea\u00e7a em territ\u00f3rio nacional. Segundo o Fundo de Defesa da Citricultura (Fundecitrus), observou-se no Brasil um <strong>aumento de 56% na incid\u00eancia <\/strong>do greening, passando de 24,4% em 2022 para uma m\u00e9dia de <strong>38,06% em 2023<\/strong>. Os preju\u00edzos podem atingir patamares muito significativos, pois plantas contaminadas devem ser totalmente eliminadas, causando enorme preju\u00edzo para uma cultura que possu\u00ed um ciclo produtivo relativamente longo.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><strong>Ciclo e Dissemina\u00e7\u00e3o<\/strong><\/h2>\n\n\n\n<p>A chave para entender a doen\u00e7a est\u00e1 na compreens\u00e3o do vetor, um inseto de dimens\u00f5es diminutas, mas com um impacto colossal nos pomares. O <strong>psil\u00eddeo<\/strong>, de colora\u00e7\u00e3o branca acinzentada e manchas escuras nas asas, \u00e9 o <strong>transmissor da bact\u00e9ria que causa a doen\u00e7a.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Essa rela\u00e7\u00e3o entre o inseto vetor e a transmiss\u00e3o da bact\u00e9ria desencadeia um ciclo perigoso, onde as plantas infectadas tornam-se verdadeiros ve\u00edculos de dissemina\u00e7\u00e3o para as demais no pomar. O floema das plantas, essencialmente por onde circula a seiva, torna-se o canal de transporte para a bact\u00e9ria, infiltrando-se em ra\u00edzes, ramos, folhas e frutos. Uma vez manifestados os sintomas nas extremidades das \u00e1rvores, a infec\u00e7\u00e3o j\u00e1 se estabeleceu por todo o organismo, tornando v\u00e3 qualquer tentativa de poda como solu\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-image\"><figure class=\"aligncenter\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/lh7-us.googleusercontent.com\/1e1X3h86wWT5qmkcWhbAjdAtexrD0SlDkoz9PYv_rA_OTtOqK3cpSQw8sYgpNGKzeJj_SEFQHbIKWYMaGt3VUszBJdrDfIYqAN5bBffbwDENTbgZ9gMxVxiSv-VOCEsbLP-KEP7CQqBlP3mfmrBJHNI\" alt=\"\"\/><figcaption><em>Foto: Fundecitros<\/em><\/figcaption><\/figure><\/div>\n\n\n\n<p>Os primeiros sintomas do greening costumam aparecer aproximadamente quatro meses ap\u00f3s a infec\u00e7\u00e3o, continuando a se manifestar ao longo do ano. As plantas infectadas, mesmo sem sintomas vis\u00edveis, tornam-se fontes potenciais da bact\u00e9ria, destacando a <strong>import\u00e2ncia de<\/strong> <strong>monitoramentos regulares, tanto das plantas, quanto da presen\u00e7a do inseto vetor.<\/strong> Esta persist\u00eancia silenciosa exige uma abordagem proativa, onde as plantas doentes devem ser identificadas e eliminadas para <strong>evitar o cont\u00e1gio<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p>O est\u00e1gio de ninfa do psil\u00eddeo revela-se crucial, intensificando a aquisi\u00e7\u00e3o e transmiss\u00e3o da bact\u00e9ria. A necessidade de uma <strong>abordagem integrada<\/strong> e constante no controle do vetor torna-se evidente diante do r\u00e1pido crescimento das brota\u00e7\u00f5es, as quais se tornam atrativos irresist\u00edveis para o inseto transmissor.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><strong>Sintomas do Greening<\/strong><\/h2>\n\n\n\n<p>Os sintomas do greening se revelam como marcadores vis\u00edveis de uma batalha silenciosa travada nos pomares de citros ao longo do ano, com impacto mais pronunciado entre o final do ver\u00e3o e o in\u00edcio da primavera. O entendimento preciso desses sinais \u00e9 crucial para a <strong>detec\u00e7\u00e3o precoce<\/strong> e a implementa\u00e7\u00e3o de <strong>medidas assertivas de<\/strong> <strong>controle<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p>Os primeiros ind\u00edcios surgem com a presen\u00e7a de ramos que, quando jovens, exibem folhas amareladas, e quando maduras, apresentam um mosqueado peculiar. Esse padr\u00e3o de manchas irregulares, alternando entre tons de verde e amarelo, revela a interfer\u00eancia da bact\u00e9ria nas fun\u00e7\u00f5es normais da folha, indicando o avan\u00e7o do greening.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c0 medida que a doen\u00e7a progride, as folhas afetadas tendem a cair prematuramente, cedendo espa\u00e7o para novas brota\u00e7\u00f5es com folhas posicionadas verticalmente, conferindo \u00e0 \u00e1rvore uma apar\u00eancia caracter\u00edstica de &#8220;orelhas de coelho&#8221;. A espessura aumentada e a textura \u00e1spera da nervura foliar, bem como a colora\u00e7\u00e3o amarelada, acrescentam camadas de complexidade aos sintomas observados.<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-image\"><figure class=\"aligncenter\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/lh7-us.googleusercontent.com\/QWDJ3UsYLRjRHVk1Cj5UYK55sUAT7bLWLa_5VdvdSlp-ZYNgBVSgchlVUbt4rB0fVG2JsRPGN1DoWlJSUwrFSUe9qR51UdEsUXaR5UT2qQxqYsqpvzfUP20bHitTiH4mOyBcNtjxDDvEpHu9Qy_1QSk\" alt=\"\"\/><figcaption><em>Foto: Fundecitro<\/em>s<\/figcaption><\/figure><\/div>\n\n\n\n<p>Os frutos, provenientes de ramos afetados, tamb\u00e9m n\u00e3o escapam da influ\u00eancia nefasta do greening. Apresentando deformidades, tamanho reduzido e assimetria em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 columela central, esses frutos adquirem uma colora\u00e7\u00e3o verde clara manchada e, muitas vezes, caem prematuramente. A regi\u00e3o de inser\u00e7\u00e3o do ped\u00fanculo revela uma tonalidade alaranjada, indicando o comprometimento do processo de matura\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Ao cortar um fruto afetado, revela-se uma complexidade adicional. Filetes alaranjados na columela a partir da regi\u00e3o do ped\u00fanculo, sementes abortadas e um albedo com espessura maior do que o normal se tornam caracter\u00edsticas distintivas. O suco das frutas doentes apresenta um perfil sensorial alterado, com sabor mais \u00e1cido, menos doce e uma nota amarga, comprometendo a qualidade do produto final.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 crucial ressaltar que, em \u00e1rvores mais jovens, a progress\u00e3o da doen\u00e7a pode levar \u00e0 comprometimento total em um curto per\u00edodo, enquanto em \u00e1rvores mais maduras, os sintomas podem se manifestar ao longo de tr\u00eas a cinco anos. Diante desse cen\u00e1rio, a detec\u00e7\u00e3o precoce, a elimina\u00e7\u00e3o de plantas doentes e a constante vigil\u00e2ncia tornam-se pilares essenciais na salvaguarda dos pomares contra os efeitos devastadores da doen\u00e7a.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><strong>Controle<\/strong><\/h2>\n\n\n\n<p>Nessa busca por solu\u00e7\u00f5es que preservem a <strong>sa\u00fade dos pomares<\/strong>, o controle exige <strong>abordagens integradas<\/strong> e constantes para mitigar os danos causados por esta doen\u00e7a intrat\u00e1vel. A <strong>elimina\u00e7\u00e3o de plantas sintom\u00e1ticas<\/strong> emerge como um pilar fundamental para barrar a dissemina\u00e7\u00e3o, assim como a implementa\u00e7\u00e3o de <strong>um controle eficaz do vetor<\/strong>, o psil\u00eddeo <em>Diaphorina citri<\/em>. O uso controlado de inseticidas, com doses eficazes, a <strong>rota\u00e7\u00e3o de produtos<\/strong> com diferentes modos de a\u00e7\u00e3o e a aplica\u00e7\u00e3o constante em todas as partes da planta s\u00e3o elementos-chave na estrat\u00e9gia de controle.<\/p>\n\n\n\n<p>Um alerta relevante no combate ao greening \u00e9 a resist\u00eancia observada em popula\u00e7\u00f5es do psil\u00eddeo a certos grupos de inseticidas, como piretroides e neonicotinoides. A n\u00e3o rota\u00e7\u00e3o adequada de inseticidas com diferentes modos de a\u00e7\u00e3o, adotada por muitos citricultores, resultou na perda de efic\u00e1cia desses produtos no campo. Para reverter esse quadro, \u00e9 essencial promover a rota\u00e7\u00e3o com produtos de diferentes grupos qu\u00edmicos e modos de a\u00e7\u00e3o. Al\u00e9m disso, a aquisi\u00e7\u00e3o de <strong>mudas sadias<\/strong> e de proced\u00eancia id\u00f4nea tornam-se pontos cruciais na batalha contra essa amea\u00e7a persistente.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><strong>Desafios e Perspectivas<\/strong><\/h2>\n\n\n\n<p>A luta contra o greening n\u00e3o \u00e9 apenas algo do presente, mas um desafio em constante evolu\u00e7\u00e3o que exige um olhar perspicaz em dire\u00e7\u00e3o ao futuro da citricultura. Enquanto nos deparamos com desafios substanciais no controle efetivo dessa doen\u00e7a, \u00e9 imperativo reconhecer e antecipar as perspectivas futuras para <strong>proteger a vitalidade dos pomares de citros.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>O <strong>contexto clim\u00e1tico<\/strong> exerce uma influ\u00eancia significativa nas taxas de incid\u00eancia da doen\u00e7a. Chuvas mais frequentes e temperaturas menos quentes durante a primavera e ver\u00e3o ampliam as condi\u00e7\u00f5es favor\u00e1veis ao aumento do psil\u00eddeo e, consequentemente, \u00e0 dissemina\u00e7\u00e3o do greening. A compreens\u00e3o dessas vari\u00e1veis clim\u00e1ticas \u00e9 essencial para aprimorar as <strong>estrat\u00e9gias de controle<\/strong>, ajustando-as \u00e0s condi\u00e7\u00f5es espec\u00edficas de cada regi\u00e3o citr\u00edcola.<\/p>\n\n\n\n<p>Nesse cen\u00e1rio desafiador, a necessidade de um <strong>monitoramento constante emerge como a<\/strong> <strong>pe\u00e7a-chave<\/strong> para enfrentar os obst\u00e1culos presentes e futuros. A identifica\u00e7\u00e3o precoce de plantas sintom\u00e1ticas, aliada \u00e0 pronta elimina\u00e7\u00e3o, torna-se uma linha de defesa crucial contra a propaga\u00e7\u00e3o desenfreada do greening. A vigil\u00e2ncia constante por parte dos citricultores, respaldada por um conhecimento aprofundado dos sintomas e pr\u00e1ticas de manejo adequadas, desempenha um papel vital na sustentabilidade a longo prazo da citricultura.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Sobre<\/strong> \u2013 A SIMA \u00e9 uma AgTech que surgiu em 2013 na Argentina com o objetivo de oferecer aos produtores uma plataforma simples, completa e inteligente para monitoramento, controle e an\u00e1lise de dados. Hoje a empresa est\u00e1 presente em 8 pa\u00edses da Am\u00e9rica Latina e possui mais de 8,3 milh\u00f5es de hectares monitorados. Mais informa\u00e7\u00f5es em:<a href=\"http:\/\/www.sima.ag\/pt\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"> www.sima.ag\/pt<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Um dos maiores desafios fitossanit\u00e1rios atuais da citricultura, que amea\u00e7a e dizima pomares, \u00e9 a doen\u00e7a do greening. 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